Fuga no tribunal: condenado a 9 anos desaparece antes da sentença em Açailândia

O caso envolvendo o empresário Jhonnatan Silva Barbosa ganhou grande repercussão em Açailândia após um desfecho que expõe fragilidades no sistema judicial. Condenado a nove anos de prisão por tentativa de homicídio, ele deixou o fórum antes mesmo da leitura da sentença e, desde então, é considerado foragido da Justiça.

A condenação foi definida pelo Tribunal do Júri na última segunda-feira (17), referente a um crime ocorrido em dezembro de 2021. A vítima, Gabriel Silva Nascimento, foi brutalmente agredida após ser confundida com um assaltante enquanto realizava a manutenção do próprio carro. Mesmo com a gravidade dos fatos, o réu respondeu ao processo em liberdade — condição que acabou sendo determinante para sua fuga.

De acordo com relatos e imagens de câmeras de segurança utilizadas no julgamento, Gabriel foi abordado e saiu do veículo com as mãos levantadas, tentando demonstrar que não oferecia risco. Ainda assim, foi violentamente espancado com socos, chutes e pisões. Em um dos momentos mais chocantes, Jhonnatan chegou a pisar no pescoço da vítima, enquanto Ana Paula Costa Vidal o imobilizava. A agressão só foi interrompida após um vizinho reconhecer o jovem como morador do local.

Apesar da defesa da vítima e de entidades de direitos humanos apontarem possível motivação racial no crime, essa tese não foi acolhida pelos jurados. O caso, no entanto, reacende o debate sobre racismo estrutural e julgamentos no Brasil.

Após a decisão do júri, foi expedido mandado de prisão contra Jhonnatan Silva Barbosa. No entanto, segundo a Polícia Civil, o condenado não foi localizado até o momento. A expectativa das autoridades é de que ele se apresente voluntariamente nas próximas horas.

Em nota, o Tribunal do Júri esclareceu que o réu aguardava o julgamento em liberdade e não havia determinação legal para escolta policial durante a sessão. O órgão também destacou que a prisão só poderia ser decretada após a decisão dos jurados, sendo responsabilidade das autoridades policiais o cumprimento do mandado a partir desse momento.

O histórico do condenado também pesa. Em 2013, Jhonnatan já havia sido responsabilizado por atropelar e matar um homem de 54 anos, recebendo pena convertida em serviços comunitários e multa.

Enquanto isso, o caso segue gerando indignação em Açailândia e reforça a sensação de impunidade diante da fuga de um condenado por um crime violento. A população agora cobra respostas, agilidade na recaptura e medidas mais rigorosas para evitar que episódios como esse voltem a se repetir.

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